Dupla titulação e intercâmbio virtual ampliam a empregabilidade de brasileiros
03.06.2026
A internacionalização do ensino superior deixou de ser um projeto de longo prazo para se tornar uma ferramenta imediata de competitividade. O movimento é global: dados da Unesco indicam que a mobilidade internacional já supera 6 milhões de estudantes e pode atingir 8 milhões até 2030, enquanto experiências de intercâmbio virtual crescem mais de 15% ao ano, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês).
Instituições de ensino superior respondem a esse movimento com a expansão de acordos internacionais, revisão de currículos e investimento em tecnologias educacionais. Na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), esse processo se consolida através de duas frentes estratégicas: a dupla titulação, que garante diplomas válidos no Brasil e no exterior, e a mobilidade virtual, que democratiza a experiência global sem a necessidade de deslocamento físico.
O "atalho" para o mercado global
A dupla titulação ultrapassa o modelo tradicional de intercâmbio de curta duração ao assegurar, ao final da graduação, dois diplomas plenos e reconhecidos. Amparado por convênios com instituições estrangeiras, o estudante integraliza parte da carga horária com equivalência acadêmica previamente estabelecida, o que simplifica trâmites e evita os custos e a complexidade de processos posteriores de validação internacional do diploma.
“Ao integrar matrizes curriculares e padrões internacionais de ensino, essa modalidade favorece o desenvolvimento de competências valorizadas pelo mercado global, como fluência intercultural, adaptabilidade e visão sistêmica”, explica a gerente de Internacionalização da Univali, professora Camila Monteiro.
O modelo funciona como um selo de prontidão global, sinalizando ao mercado que o profissional possui domínio técnico e cultural para atuar em múltiplos cenários econômicos.
“Na prática, o impacto se traduz em maior competitividade em processos seletivos, acesso ampliado a redes profissionais internacionais e maior mobilidade de carreira”, complementa Camila. Empresas com atuação global tendem a valorizar profissionais que transitam com naturalidade entre diferentes contextos culturais e regulatórios, especialmente em áreas como negócios, tecnologia, saúde e comunicação.
Estudos da McKinsey & Company apontam que profissionais com experiência internacional apresentam até 20% mais empregabilidade em funções que exigem competências globais e digitais.
Em curso
Em 2026, a Univali registrou recorde de matrículas, ultrapassando 26 mil estudantes em sete campi, entre graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Desse total, 32 alunos realizam formação sanduíche em 10 instituições, em 8 países, enquanto a universidade mantém uma rede ativa de mais de 100 parceiros internacionais.
Dentro desse ecossistema, a internacionalização se materializa em percursos concretos. Na Itália, concentram-se diferentes frentes de mobilidade: uma doutoranda em Educação em formação sanduíche via Capes, 16 mestrandos em Direito das Migrações Transnacionais e uma doutoranda em Ciências Farmacêuticas, todos vinculados à Universidade de Perugia.
Nos Estados Unidos, dois doutorandos em Administração desenvolvem parte de sua formação na Bentley University. Na França, o movimento envolve dois doutorandos em Administração na Université de Toulouse e estudantes de Computação Aplicada em mobilidade junto à Université de Montpellier, no ciclo 2025, por meio da Fapesc.
No Reino Unido, dois pesquisadores em Turismo e Hotelaria realizam doutorado sanduíche na University of Surrey. Em Portugal, outro doutorando da mesma área atua na Universidade do Algarve, enquanto três mestrandos em Ciência e Tecnologia Ambiental desenvolvem formação conjunta com a Universidade Lusíadas.
Na Espanha, três mestrandos em Administração vivenciam percurso integrado com a Universidad de Alicante, instituição que também participa da formação de mestrandos em Ciência e Tecnologia Ambiental.
Esse conjunto de experiências se conecta a uma rede que já recebeu, entre 2021 e 2026, 95 estudantes internacionais de graduação, ampliando o repertório cultural dentro dos campi e reforçando o caráter multicultural da instituição.
Internacionalização sem passaporte
Para aqueles que buscam a vivência global, mas possuem restrições geográficas ou financeiras, a Univali fortalece a mobilidade virtual. O programa permite que alunos brasileiros participem de disciplinas em universidades estrangeiras parceiras de forma remota, dividindo salas de aula digitais com estudantes de diferentes nacionalidades.
“A internacionalização 'em casa' é uma tendência irreversível. Ela permite o networking e o desenvolvimento de soft skills, como a inteligência cultural, sem que o aluno precise pausar sua rotina profissional no Brasil”, observa a gerente Camila. Esse modelo contribui para democratizar o acesso à internacionalização, reduzindo barreiras financeiras e logísticas e ampliando o repertório acadêmico por meio do contato contínuo com professores, metodologias e perspectivas de diferentes países. “O resultado é um perfil de estudante mais autônomo, digitalmente fluente e preparado para ambientes de trabalho distribuídos”, enfatiza.
A tendência aponta para um modelo de educação em que fronteiras geográficas se tornam mais porosas e o conhecimento circula com maior intensidade. Nesse ambiente, a trajetória acadêmica se configura como um mapa em movimento, em que cada conexão amplia o repertório e qualifica a leitura de mundo.
O reconhecimento acompanha esse percurso. A instituição ocupa o primeiro lugar entre as universidades não públicas de Santa Catarina e figura entre as 15 melhores do país no Ranking Universitário da Folha — um indicativo de que a internacionalização, quando integrada à formação, se traduz em valor concreto para o estudante e para o mercado.
- Mais informações por e-mail international@univali.br ou telefone (47) 3341-7642
